Lentes negras é um convite a olhar para o espaço e procurar os corpos pretos, a buscar a beleza e reconhecer esses corpos. É um convite a conhecer diferentes histórias só no olhar e para apreciar a diversidade de potências estéticas pretas. É um mergulho decolonial sem entraves. É um grito para que eu me encontre um auto-convite a procurar no mundo quem entenda. Me coloco na fotografia, como me coloco nesse texto, me vendo em outros olhares, outras óticas, me permitindo ser a encruzilhada que conecta caminhos e ser ancestral e ancestralidade viva, vivendo por quem veio antes, registrando os que ainda vivem para que eu viva, mantendo a memória viva. Como um griô de imagens, retorno ao meu povo aquilo que recebi, pedindo permissão para seguir, adentrar, ocupar e retornar, pedindo para que continuem depois de mim. Lentes negras é auto-defesa para fugir do olhar branco como a única ótica possível, para existir no mundo e para provar que os meus existem e ocupam e, que a terra e o conhecimento é tão nosso quanto era de quem veio antes. Não vão nos negar o olhar. Se no ocidente, o olhar é o sentido principal como afirma Oyèrónkẹ Oyemi, então que eu possa olhar, ver e ser vista. Ponta Grossa foi por muito tempo escrita como um espaço branco, sua história de 200 anos como a história de alemães, poloneses, tropeiros, sendo assim alguns corpos foram apagados dos registros e dos olhares. Essas imagens são parte de um projeto em construção de fotografia de corpos pretos, são pessoas pretas existindo na cidade e recontando a história. Uma história escrita por pessoas pretas e onde elas ocupam os espaços, as ruas, as praças e dão cor ao ambiente.
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